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Sim, Feliciano está doente da cabeça e da alma

Comentário de Bob Fernandes
Gazeta News


Vamos recordar a espantosa coleção de estultices do deputado e pastor Marco Feliciano. Para alguns uma frase dele pode soar espertinha, engraçadinha, mas o conjunto da obra revela seu caráter. Agora ele calunia, mente sobre Caetano Veloso, agride e despreza outra religião, o candomblé.

O pastor mente e calunia ao dizer que Caetano submetia músicas à aprovação de Menininha do "Patuá". O erro no nome, Gantois, 'e proposital. Profundamente ignorante, desrespeitoso, situa a Ialorixá num tempo em que ela já estava morta, há 12 anos. 

Feliciano diz que Deus matou John Lennon: "Eu queria estar lá no dia que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer 'Me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse em nome do Espírito Santo'".

Qual Deus, qual religião prega assassinato como faz esse suposto pastor? A não ser quem tenha sérios desvios, que religião debocharia da morte de 5 jovens, como fez Feliciano com o grupo Mamonas Assassinas?

Disse ele sobre a banda que morreu num acidente aéreo: "Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças". O que pode existir de mais torpe do que essas palavras de Feliciano?

Talvez, mais torpe seja entregar a própria mãe, dizer que a assistia "arrancar fetos de dentro das mulheres". A mãe de Feliciano desmente, mas, verdade ou mentira, a frase revela o que é a cabeça do filho. 

Há quem veja nisso só um jeito "ixpérto" de chamar a atenção. Esperteza à parte, a escolha da frase já escancara a profundidade da doença na alma e na cabeça de Feliciano.

O deputado diz que descendentes de africanos são amaldiçoados, que sentimentos homoafetivos são "uma podridão", e que direitos para as mulheres podem levar à "predominância homossexual". Diz também que antes dele Satanás ocupava a comissão de direitos humanos.

Com ares e fama de quem é "ixpérto", mas parecido mesmo é com um grande beócio, Feliciano segue em frente. Mesmo acusado de estelionato, desfila nesses tempos de lassidão e mediocridade. Até que alguém, quem sabe um dos seus pares, dele se aproxime.

Alguém verdadeiramente religioso, próximo da divindade. Alguém que, com compaixão, chegue para Feliciano e diga a verdade:"Amigo, você não é "ixpérto". Você está é doente, tem uma doença na cabeça e na alma, procure ajuda, Feliciano, vá se tratar".

Bob Fernandes: Bolsonaro é semente do fascismo


"Tumultuadissimaa sessão de na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Protestos contra o pastor e deputado Feliciano, eleito presidente da Comissão. Feliciano é aquele que disse serem "amaldiçoados" os descendentes de africanos. E que tem um discurso radicalmente homofóbico.

É um direito do pastor e deputado. É a opinião dele. Como é direito se considerar deboche um cidadão com tais posições presidir uma comissão de Direitos Humanos.

Mas quem roubou a cena foi o deputado Jair Bolsonaro, um entusiasta de Feliciano. Bolsonaro tem uma estranha fixação com o tema da homossexualidade. Sempre que a polêmica ressurge no Congresso, o deputado se excita.

Bolsonaro é hoje o mais conhecido rosto da extrema direita brasileira. Defensor da ditadura, ele justifica a tortura. Já disse: "O cara tem que ser arrebentado para abrir a boca". Sobre a busca de corpos dos desaparecidos na ditadura, diz: "Quem procura osso é cachorro".

Claro que com frases e atitudes como estas o que Bolsonaro busca são as manchetes. Assim ele está no sexto mandato e já tem dois filhos parlamentares. Isso é O Ovo da Serpente, na definição do cineasta Ingmar Bergman. Isso tudo aí é a semente do fascismo. Não convém regá-la.

Que ninguém se iluda com esse deputado. Ele pode soar folclórico, um animador de auditório, engraçadinho para uns, mas é um homem perigoso para a democracia. Com atitudes como essa, Bolsonaro ajuda a avacalhar ainda mais o Congresso.

Na edição de 28 de outubro de 1987 a revista Veja publicou reportagem sobre Bolsonaro. Relevou que ele e outro militar planejavam explodir bombas em quartéis do Rio de Janeiro, e na adutora do Rio Gandú.

Tal ação seria na luta por melhores salários para os militares -daí a base, a inicial, de votos do agora deputado. Bolsonaro foi processado. Ele negou tudo, foi absolvido pelo Tribunal Militar, mas havia cometido um erro.

A revista Veja publicou um croqui, desenhado pelo próprio Bolsonaro, com a bomba que seria colocada na adutora do Rio Gandú. O ministro do Exército admitiu que a reportagem estava correta. E Veja publicou o croqui e uma foto com a seguinte legenda: "Bolsonaro, a mentira".

O que Bolsonaro fez agora é uma evidente quebra de decoro, passível até da perda do mandato. Nada acontece porque falta autoridade moral a quem caberia puni-lo.

Toda vez que o amigo, a amiga achar graça em alguma das atitudes desse deputado, lembre se de uma de suas frases:
- Nós não devíamos só torturar. Devíamos torturar e matar. 

Este, isso aí, é Bolsonaro".